Ultimamente as pessoas têm me alertado do papel que a dança tem tomado na minha vida. Basicamente, e perigosamente, a dança do ventre contemporânea tem mesmo desviado minha atençaõ do mestrado. Pego os livros para estudar o capitalismo e meio ambiente, ponho uma música para me concentrar e quando me dou conta, já estou em outro mundo pensando em possíveis passos e em uma coreografia.
Bom, este é um tema com o qual vou ter que lidar até a qualificação e até defender o mestrado...ou talvez até eu decidir como e quando vou fazer isso.
É um dilema...
Mas não é sobre isso que quero falar. Talvez em outra hora. Voltemos à dança!
A dança é uma das formas mais completas de se aumentar a autoestima, desenvolver a comunicação corporal e expressividade. Além do mais, pelo menos pra mim, como se aproxima do esporte, mantém os egos sob controle. Afinal, todo o mundo sabe (ou deveria saber) que o ego mal resolvido é a pior desgraça num processo criativo. Não há nada mais desagradável que aquelas pessoas que se acham únicas só por terem tido o tino de desenvolver algo que se supõe importante. Nada que se cria é eterno e ninguém é imortalizável...só Jesus conseguiu isso e mesmo assim ele não é uma unanimidade.
Porém, o ego tem um outro lado positivo: o do desenvolvimento da auto estima. Na dança do ventre isso é trabalhado multidimensionalmente nas mulheres. Primeiro porque sua origem se dá em uma sociedade matriarcal, depois porque desenvolve áreas do corpo que têm uma importância psicológica.
A movimentação dos quadris e seu desenvolvimento trabalha com outras questões críticas. No quadril projetamos todos os nossos tabus sobre a sexualidade. A moralização dos movimentos trava por exemplo que movamos os quadris com desenvoltura. Na nossa cultura ocidentalizada os movimentos têm que ser elegantes e desprezar quaisquer traços de erotismo ou de sensualidade ou qualquer outra coisa que remeta ao pecado inicial.
Por isso, mover os quadris para muitos é muito difícil...Falo os quadris por ser de mais fácil compreensão seu travamento, mas isso se dá na movimentação de tronco (busto) e braços (simbolismos).
Naturalmente e à medida que tomamos consciência de nosso corpo a resolução de nosso tabus vai ficando mais fácil. A saúde do corpo passa a refletir na mente.
Para as mulheres, a tomada de conhecimento do corpo também leva a uma mair compreensão de seu papel na sociedade. Ela se liberta de clichês de dentro para fora e passa a lidar melhor com as adversidades da vida, posicionando-se.
Acho imprescindível que em programas de ajuda a mulheres violentadas ou ajuda psicológica que se tenha em conta o papel da expressão corporal na sua reinserção na sociedade e na sua re-inserção a ela mesma!
Só o autoconhecimento pode reverter o quadro repressivo e opressivo do machismo em que vivemos.
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